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O que moveu o mundo

Por 18 de março de 2017outubro 30th, 20184 Comments

“Se fazemos algo até o fim, eis que devemos compreender que o que nos move não é necessariamente o objetivo em si, mas o medo de desistir. Pois ela é uma constante, e categorizará seus defeitos em sua mente para nunca esquece-los. Aos meios, valeria tudo, o homem assim como a natureza, age em ação-equilíbrio em um ciclo independente de resultados, pois o medo, é uma constante eterna. O nobre guerreiro teme, um humilde fazendeiro teme, um criminoso teme, e o temor que motiva, que nos instiga junto com todas as outras coisas que estamos cansados de saber. O prelúdio de uma luta é aterrorizador, e pensamos que sabemos disso, pensamos que será difícil, nos preparamos para a eminente dificuldade. Mas nos esquecemos do medo envolvido. Essa ausência de medo o maior responsável pela a desistência. É a ausência do risco que estagna os homens, é o falta dela que nos corrompe.”

Um singelo texto curto como síntese de uma série de textos que estarei trazendo para os senhores. Ao passo em que devemos estar cientes dos devaneios do mundo contemporâneo, surge uma prorrogativa em comum entre os heróis e os fracos, os corajosos e os covardes, os legítimos e os ilegítimos. Isto é, o medo e o receio. Podemos fazer as coisas por amor, por luxúria e inúmeras outras razões, mas o receio e medo funcionam como um gatilho para ações que costumam gerar reações inflamadas com muito efeito colateral. Ao passo em que ser, tentar e ouvir aquilo que não gostaria, ou acontecer o que não deveria, tornam-se um interminável mal-estar que apenas cessará se você agir. Esse “agir” é comumente conhecido como atos desesperados nutridos com falta de controle e instabilidade emocional.

O que moveu o homem em detrimento de guerras, ações e malezas, foi o imperialismo, mas pelo o receio do maior e mais forte. O povo nutrido de boa sabedoria praticava a guerra como filosofia, escondendo o medo e o exaltando como valor. Não sou um homem deste tempo, e certamente não sou um homem do passado. Talvez a guerra não seja meu campo, ou que, só iria se fosse assim necessário como no mito do herói, aquele que apenas adentrava em aventuras e batalhas por necessidade ou chamado do destino.  Tais missões e trabalhos eram concebidos para ele, como algo profético. O homem não ansiava por lutas e aventuras, e sim pela a paz e calmaria. Ele foi posto a prova e só então precisou por sua vida em risco para superar aventuras e batalhas ao longo de sua história. Uma mulher em perigo, alguém indefeso precisando de ajuda, uma vida a ser salva, uma boa ação a ser feita. Tudo aquilo bom, do clichê ao cotidiano tem seu valor civilizatório ao mundo. Talvez como uma chama em que precisamos aquecer, como algo que precisamos provar para nós mesmos, pois só fazemos aquilo que realmente queremos. A escolha no fundo foi dada, e coube apenas ao protagonista,  a escolha de tentar e ser lembrado com um legado, ou recusar e ser esquecido, não literalmente falando, mas como uma recompensa moral de que o certo foi feito e permanecido no mundo.

Quando, por exemplo, damos dinheiro a um necessitado na rua, por mais que estejamos beneficiando o necessitado, estamos suprindo uma necessidade nossa de querer fazer o bem para aquela pessoa. Muito das vezes um ato benéfico beneficia nós mesmos moralmente. Buscamos criar uma atmosfera positiva em nossas vidas, e essa atmosfera positiva pode ser a simples vontade de satisfazer nossas necessidades permanentemente através de todos os desejos que criamos em nossas mentes, porém, tais atos podem ser bons ou ruins para as pessoas. Questões espirituais foram transformadas em mercado de ilusões, ao contrário do que se prega, hoje apenas utilizamos artifícios espirituais para breves reflexões e nada mais. O ser humano contemporâneo aprendeu a nutrir o almejo total ao individualismo, mas claro, tal coisa também é importante. Somos indivíduos pertencentes a um elo cultural, a uma família, a uma sociedade e uma cultura propriamente dita. Querendo ou não, somos frutos de gerações de ancestrais, onde suas ações foram determinantes para nossa formação moral sobre o que é certo ou errado.

A verdade aos olhos de muitos são espinhos venenosos. Somos condicionados a acreditar no mais visível e fácil. É ética é algo complexo e que exige estudo, apesar das lições que aprendemos quando jovens, tais estudos são necessários para a formação opinativa de um homem íntegro. Já uma vida hedonista que preza justamente o afastamento da moral e prazer interrupto, é fácil, não existe nada doutrinatário nisso. Você não precisa estudar a fundo para fazer parte desse grupo. A própria negação dos valores é só o que precisa fazer. E quando toda a mídia, redes sociais e a maioria almejam isso, o efeito propagativo é bem maior por sua facilidade de adesão.

A morte esquecida é tão importante quanto a vida lembrada. Ao leito de nosso fim, as lembranças de bons feitos e de um passado íntegro são o bastante para uma partida tranquila e profética.

 

 

Geon Tavares

Autor Geon Tavares

Aristocrata, fundador desta organização, escritor e fotógrafo nas horas vagas. Sonha em restaurar o glorioso Império Romano.

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